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Herdade

O Palácio do Morgado da Oliveira começou a erguer-se no final do século XIII. O valor patrimonial e histórico do Palácio é inegável e, por essa razão, estudou-se profundamente a relação formal com o seu conjunto. Optou-se por rematar o pátio a sul de forma a proporcionar maior sensação de conforto e estabelecer um diálogo entre os dois volumes. O novo edifício, desenhado por Tiago Sobral e de caráter contemporâneo implanta-se em simetria com o palácio. Volumetricamente imita as suas proporções sem copiar as dimensões, busca a sua própria linguagem, confere unidade e harmonia, e sem pretender ofuscar o Palácio e, respeitando a silhueta existente, o edifício permanece baixo como a natureza que o enquadra. Inspira-se nas janelas generosas e altas, nas águas dos telhados, na estereotomia da cantaria, nas entradas largas no térreo, nas linhas retas do desenho, e na pele camuflada que o reveste. A cortiça para material de revestimento foi eleita porque é um material sustentável, nobre, abundante na herdade, traduz a essência do vinho e relaciona-se com o Palácio. Simbolicamente e aproveitado a designação histórica e presente na herdade, plantaram-se oliveiras no caminho de acesso principal. As vinhas envolvem todas as edificações evidenciando e enquadrando as formas volumétricas. Simultaneamente esconde-se o estacionamento do pátio principal e deslocam-se os veículos para uma cota inferior aos enfiamentos visuais. A ruína do antigo lagar, que em tempos abasteceu a região, serve de ponto de partida para acolher os visitantes e devolver o carácter agrícola à propriedade.